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Arsène Lupin é um ladrão finíssimo, especializado em coisa de rico, jóias, artes em geral, papa fina mesmo. Criação do francês Maurice Leblanc, que inventou o termo que hoje é usado para designar um ladrão de alta classe que não usa de nenhuma brutalidade. Um cavalheiro ladrão, um ladrão cavalheiro. ![]() Eu li meu primeiro Arsène Lupin há muuuuitos anos, nem sei onde está esse exemplar, que acho que era do Arsène Lupin, le gentleman cambrioleur (Br: Arsène Lupin: Ladrão de Casaca). E poucos anos atrás li de seguidinha os dois volumes de "813": "Le double vie d'Arsène Lupin" (A vida dupla de Arsène Lupin) e "Les trois crimes d'Arsène Lupin" (Os três crimes de Arsène Lupin). Encantei-me novamente pelo personagem, que é aliás um sedutor de mulheres. Mas ele não é um safado, não se engane. Ele as respeita, admira, e ele se apaixona de verdade, e sofre e tudo! Lembre-se de uma coisa: Arsène nunca mata. Outra característica importantíssima do personagem é seu talento incrível para disfarces. E não simplesmente disfarces, mas pseudônimos, ou ainda heterônimos, vidas duplas, triplas, enfim. As personalidades de Lupin infiltram-se na alta sociedade sob os nomes e nacionalidades mais diversos, criam relações, fama, enquanto Arsène continua agindo. O tempo que ele é capaz de dedicar à formação de um bom heterônimos é tocante. E geralmente nos engana. Numa mesma obra podem aparecer mais de um heterônimo. Um bem óbvio, outro que nos choca totalmente quando revelado (caso que aconteceu comigo tanto em 813 quanto em L'Aiguille Creuse). E aí chegamos em l'Aiguille Creuse (A Agulha Oca). Incrível!! Além do gênio de Lupin, somos apresentados ao gênio em formação do jovem Isidore Beautrelet, que representa rival de altura respeitável, notoriamente digno da admiração de Lupin (de quem Isidore é fã confesso antes de se tornar opositor, sem nunca deixar de ser fã, claro). Do meio pro final, quando nos aprofundamos no mistério secular (milenar!) da Aiguille Creuse, vão surgindo conexões com vários períodos da história da França. Adoro! Mistério com mensagem cifrada pra desvendar, estilão clássico muito bem-feito. Imperdível pra quem gosta de uma boa literatura de mistério. Voilà! A foto acima mostra as falésias da cidade de Étrétat e o pico branco e rochoso de base submarina que dá título ao romance. Beleza natural bem empregada pelo talento literário. No embalo, resolvi alugar o filme Arsène Lupin, de 2004. Sem enrolação, digo logo: ruim. Bom elenco, na verdade, mas a colagem de histórias (Aiguille Creuse + La comtesse de Cagliostro (A condessa Cagliostro) + Gentleman Cambrioleur + referências a 813 e provavelmente a outros livros de Arsène que ainda não li) resultou num roteiro feio e sem fio condutor. A personalidade do anti-herói na literatura, como de praxe, é simplificada para as telas e perde muito da graça. Ou seja: ruim. ![]() Agora tô mais a fim de achar os desenhos animados e a série de televisão. Aliás, vc sabia que, em 1957 Arsène Lupin virou até telenovela brasileira, da TV Tupi? |
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