Entry: Literatura de mistério 4.5.09



Quando eu tinha onze anos, comecei a ler Sherlock Holmes, cujas aventuras meu pai comprava pra mim no saudoso Círculo do Livro. Capas duras, com a famosa silhueta, aqueles livros me acompanharam adolescência afora, sendo transportados sem cessar dentro de bolsas e mochilas, até que hoje alguns estejam meio destroçados. Eu, por princípio, achava que não podia gostar de Agatha Christie.

Um vez conversei com alguém (não me lembro quem era) que me disse que preferia a Rainha do Crime a Sir Arthur Conan Doyle porque ela fornecia todos os dados para que o leitor pudesse sozinho matar a charada, se fosse capaz. Conan Doyle realmente não fazia sempre isso (mas fazia, sim, muitas vezes); seu foco estava sem dúvida em exaltar a personalidade do detetive e seus métodos infalíveis e impossíveis de acompanhar. Antes dos 17 anos eu já tinha acabado de ler os sete volumes publicados pelo Círculo, com extremo pesar. Naquela altura eu até já tinha lido alguma coisa da Agatha Christie: A Casa Torta, Os Crimes ABC (ambos do Círculo) e O Assassinato no Expresso Oriente, na edição de uma coleção de banca de capa dura preta, da qual eu comprar vários outros títulos dela, mas não lera.

Aos 26 anos, no meio de um mês de julho infernalmente triste, resolvi que precisava ler alguma coisa que não me permitisse pensar em mais nada. Um vazamento em casa havia encharcado uma caixa que estava cheia de livros, e o conteúdo dela fora espalhado no sofá. Lá estavam os livros pretos da Agatha Christie, e me pareceram a solução perfeita. E foram. A Mansão Hollow, Convite para um Homicídio, O Homem do Terno Marrom, A Morte no Nilo e muitos outros começaram a me acompanhar desde então; e, com as salutares pausas para outros estilos literários, é claro, nunca mais parei. Recentemente, depois de ler Um Passe de Mágica, bateu-me uma nostalgia do meu velho amigo violinista e fumante inveterado (de quem sempre me lembro hoje em dia ao ver na tevê um certo médico solteirão, músico, igualmente dependente químico), e resolvi reler suas aventuras, começando pelo volume 2, Um Escândalo na Boêmia, que terminei hoje.


Este post serve, portanto, para introduzir uma nova categoria de posts neste blog: a literatura de mistério. Como já ficou claro, vou me concentrar em Sherlock Holmes e Agatha Christie, mas preparem-se para ver de vez em quando o "gentleman-cambrioleur" Arsène Lupin, o ladrão elegante criado por Maurice Leblanc, de quem também sou fã.

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