Quarto escuro...



27.10.09
Mr. Harley Quin

Doze capítulos praticamente independentes, cada um contando um dos encontros estranhos entre o bem-relacionado Sr. Satterthwaite e o "misterioso Sr. Quin", e eis o nome do livro que apresenta uma amizade singular.

Satterthwaite é um observador, um conhecedor das pessoas. Conhece muita gente, e as percebe bem. E ele sabe que, quando Quin aparece, algum drama humano está se formando. Às vezes algo novo (O sinal no céu), outras vezes um velho mistério que os muitos anos passados ajudam a resolver (A chegada do Sr. Quin; Na estalagem Bells e Motley), segundo a teoria de Quin. Satterthwaite sempre fica com a impressão de que é Quin o personagem principal, aquele que orquestra a solução do drama, e que ele próprio não passa de um instrumento. Será?

Além de um livro inteirinho dedicado a essa inusitada relação, há ainda um conto, a fascinante história final de "Poirot e o mistério da arca espanhola & outras histórias". O conto chama-se " O jogo de chá do Arlequim", e é dos melhores.

25.10.09
L'Aiguille Creuse + Arsène Lupin

Arsène Lupin, le gentleman-cambrioleur. Conhecem?

Arsène Lupin é um ladrão finíssimo, especializado em coisa de rico, jóias, artes em geral, papa fina mesmo. Criação do francês Maurice Leblanc, que inventou o termo que hoje é usado para designar um ladrão de alta classe que não usa de nenhuma brutalidade. Um cavalheiro ladrão, um ladrão cavalheiro.


Eu li meu primeiro Arsène Lupin há muuuuitos anos, nem sei onde está esse exemplar, que acho que era do Arsène Lupin, le gentleman cambrioleur (Br: Arsène Lupin: Ladrão de Casaca). E poucos anos atrás li de seguidinha os dois volumes de "813": "Le double vie d'Arsène Lupin" (A vida dupla de Arsène Lupin) e "Les trois crimes d'Arsène Lupin" (Os três crimes de Arsène Lupin). Encantei-me novamente pelo personagem, que é aliás um sedutor de mulheres. Mas ele não é um safado, não se engane. Ele as respeita, admira, e ele se apaixona de verdade, e sofre e tudo! Lembre-se de uma coisa: Arsène nunca mata.

Outra característica importantíssima do personagem é seu talento incrível para disfarces. E não simplesmente disfarces, mas pseudônimos, ou ainda heterônimos, vidas duplas, triplas, enfim. As personalidades de Lupin infiltram-se na alta sociedade sob os nomes e nacionalidades mais diversos, criam relações, fama, enquanto Arsène continua agindo. O tempo que ele é capaz de dedicar à formação de um bom heterônimos é tocante. E geralmente nos engana. Numa mesma obra podem aparecer mais de um heterônimo. Um bem óbvio, outro que nos choca totalmente quando revelado (caso que aconteceu comigo tanto em 813 quanto em L'Aiguille Creuse).

E aí chegamos em l'Aiguille Creuse (A Agulha Oca). Incrível!! Além do gênio de Lupin, somos apresentados ao gênio em formação do jovem Isidore Beautrelet, que representa rival de altura respeitável, notoriamente digno da admiração de Lupin (de quem Isidore é fã confesso antes de se tornar opositor, sem nunca deixar de ser fã, claro). Do meio pro final, quando nos aprofundamos no mistério secular (milenar!) da Aiguille Creuse, vão surgindo conexões com vários períodos da história da França. Adoro! Mistério com mensagem cifrada pra desvendar, estilão clássico muito bem-feito. Imperdível pra quem gosta de uma boa literatura de mistério.


Voilà! A foto acima mostra as falésias da cidade de Étrétat e o pico branco e rochoso de base submarina que dá título ao romance. Beleza natural bem empregada pelo talento literário.

No embalo, resolvi alugar o filme Arsène Lupin, de 2004. Sem enrolação, digo logo: ruim. Bom elenco, na verdade, mas a colagem de histórias (Aiguille Creuse + La comtesse de Cagliostro (A condessa Cagliostro) + Gentleman Cambrioleur + referências a 813 e provavelmente a outros livros de Arsène que ainda não li) resultou num roteiro feio e sem fio condutor. A personalidade do anti-herói na literatura, como de praxe, é simplificada para as telas e perde muito da graça. Ou seja: ruim.



Agora tô mais a fim de achar os desenhos animados e a série de televisão. Aliás, vc sabia que, em 1957 Arsène Lupin virou até telenovela brasileira, da TV Tupi?

Onde está a latinidade?

Será que é só porque a gente é muito grande? Ou porque a gente fala português, e não espanhol?

Nas últimas semanas, aliás, acho que desde que morreu Mercedes Sosa e fiquei numas de ver vídeos dela no youtube, tenho me perguntado exaustivamente onde está a latinidade deste país. Eu sempre lembro de uma professora de antropologia que me fez perceber uma curiosa característica deste nosso país.

Em antropologia, há o Eu e há o Outro, certo? O caso é que na América Latina hispanófonos, ao rever a História, a população identifica-se como o Eu índio, e o Outro é o europeu. Aqui no Brasil, o índio é que o Outro. Ok, é possível que, pelo tamanho do Brasil, a densidade populacional indígena fosse menor, eles fossem mais espalhados, e hoje no fenótipo brasileiro há mais cara de mistura de branco com negro do que com índio (se nos compararmos a peruanos, colombianos, bolivianos, etc.) De qq maneira, ainda que isso seja resultado de uma configuração real, não há dúvida de que acaba por ter uma influência importante no modo como nos vemos, no modo como encaramos nossa colonização portuguesa (que de fato foi bastante diferente da espanhola), no que somos hoje e, por conseqüência, na nossa latinidade.

Ainda assim sinto falta desse sentimento de unidade latina que parece ligar os povos hispanófonos da América. Sinto falta e adoraria que ele fosse mesmo mais forte. Sabe o que eu queria? Que a classe média e a classe alta tivessem orgulho de ser brasileiros. E que todos os brasileiros tivessem orgulho de ser latinoamericanos.

Ah, é. Eu vi Diários de Motocicleta ontem, tá?

22.10.09
Dê um Up na sua vida

Tem alguém que ainda não foi ver Up? Tem??? Eu já tô quase indo ver de novo!

Up é muito mais do que um desenho da Pixar, o que já não era pouco. É possivelmente o desenho mais bonito que eu já vi, e um dos filmes mais inspiradores e tocantes da minha vida! Os primeiros minutos do filme, em que se conta a vida de Carl Fredricksen, já era um curta suficientemente belo pra valer o ingresso, levando o casal na plateia às lágrimas (no meu caso, isso é até comum demais, mas o marido...).

Mas ainda viria muito mais. Em forma de desenho animável agradável pra crianças, o que vem é uma lição de vida tão simples para os adultos incautos que foram parar ali, simples como uma bofetada repleta de carinho. As reações de Carl Fredricksen são humanas e reais: o medo, o isolamento que a velhice e a tristeza trazem de bagagem, a falta de paciência com o menino Russell. Pero sín perder la ternura jamás! Carl é terno em suas fraquezas, ao lutar primeiro por seu sonho, sua casa, sua lembrança, seu velho amor. Seu apego às coisinhas pequenas e frágeis daquela casa voadora que tanto representa pra ele, que representa tudo o que ele teve de felicidade na vida, seus esforços pra manter-se ligado a esse passado feliz, essa recordação. Carl é tão gente quanto eu e você.



E se você for ao cinema com seu grande amor, segure bem firme na mão dele. Eu fiz isso. É no coração que a gente guarda as lembranças e o amor. Não sobre a lareira. E sempre dá pra ser feliz.

p.s.1: Tem um artigo bacana sobre esse filme no Diário do Pará, apesar da enormidade de erros de ortografia.

p.s.2: A voz de Carl é do Chico Anysio. Um primor.

18.10.09
No Garfield de hoje não tem Garfield
24.9.09
Adélia Prado numa quarta de poesia

Quem diz que cunhado não é parente não conhece a minha história, pois o meu é: é meu primo! (rs) E é poeta, de quebra, e dos bãos, e como é uma pessoa generosa, compartilha poeminhas e poemões no seu site Cais do Silêncio, de link permanente ali na minha listinha lateral.

Minha dica é que, caso gostem de módicas porções semanais de boa poesia, inscrevam-se no mailing da quarta-feira. Poesia sem excessos, na medida exata, dos melhores do Brasil e do mundo. A gente olha, lê, e de vez em quando tem aquele dia, aquela quarta-feira, que as palavras tocam mais fundo e caem como luvas. Assim foi a dose de ontem, com um tantinho de Adélia Prado:

Pranto Para Comover Jonathan

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.

17.9.09
Brincando de casting: campanha para remake de "Que Rei Sou Eu?"

Outro dia o Emerson veio me perguntar, todo animado: "Sabe que novela das sete vai ganhar um remake?"

Fiquei eufórica! "Que rei sou eu?"!

Até ele ficou triste. Não era, era Ti-ti-ti, que é ótima, e tudo mais, mas não é "Que rei sou eu?", né? Daí começamos a brincar de casting de remake! Como tava muito difícil chegar a um consenso em casa, a maioria dos personagens ganhou uma lista de candidatos ao papel.

Tô lançando a campanha, hein? Comprem a ideia!!

1) Jean-Pierre (Edson Celulari): Murilo Rosa, Eriberto Leão, Malvino Salvador, Thiago Lacerda. Muuuitas opções de bonitosos...

2) Aline (Giulia Gam): Vanessa Giácomo, Fernanda Paes Leme, mas ainda não tô satisfeita com a Aline... Tem que ser jovem, doce, mas forte, com cara de heroína corajosa.

3) Juliette (Claudia Abreu): Ísis Valverde, Sophie Charlotte.

4) rainha Valentine (Tereza Raquel): Soraya Ravenle, Eliane Giardini, Arlete Salles, Susana Vieira.

5) Pichot (Tato Gabus Mendes): Daniel de Oliveira, Bruno Gagliasso.

6) conselheiros: eram vários conselheiros, (interpretados por Jorge Dória, Carlos Augusto Strazzer, John Herbert, Oswaldo Loureiro e Laerte Morrone) e preferi fazer uma lista geral. Herson Capri, Odilon Wagner, Osmar Prado, Otávio Augusto, Antonio Calloni.

7) Bergeron (Daniel Filho), o único conselheiro honesto: Daniel Dantas, Leopoldo Pacheco, Edson Celulari.

8) Ravengar (Antonio Abujamra): muito difícil, quase impossível, e a vontade que eu tinha era de ver de novo o próprio repetindo o papel. Até no filho dele, André Abujamra, eu pensei. Mas consegui arriscar Tony Ramos, Ney Latorraca e Odilon Wagner.

9) Corcoran (Stenio Garcia): Fábio Lago, Lázaro Ramos, Mateus Nachtergaele.

10) Madeleine (Marieta Severo): Patrícia Pillar.

11) Suzanne (Natália do Valle): Regiane alves, Débora Falabella

Contribuições??

Allegro Fortissimo!

Descobri pelos meios mais curiosos uma associação francesas interessantíssima. A Allegro Fortissimo foi criada para lutar contra a discriminação contra os obesos, já chamada de gordofobia. Eu confesso a vocês que costumo achar uma chatice levantar bandeira, queria mesmo viver num mundo em que esse tipo de luta não fosse nem mesmo necessário, mas algumas coisas acabam sendo necessárias, porque tocam nossas vidas. E se tem uma coisa que me irrita é preconceito com gordo, o preconceito que ainda não é politicamente incorreto. Piada com gordo pode.

A luta contra a obesidade não deve se tornar uma luta contra os obesos.


Matéria meio antiga que menciona a associação e fala sobre a gordofobia: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2005/10/01/ult580u1695.jhtm

Mulheres acima do peso fazem mais sexo:
http://www.upi.com/Health_News/2008/10/31/Overweight-women-have-more-sex/UPI-68841225431194/


9.9.09
Feliz dia do veterinário, Liz!
5.9.09
Semana da lasanha no canal culinário
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Uma coisa tão í­ntima...




"Quando eu ouço alguém suspirar 'A vida é dura', eu sempre sou tentado a perguntar, 'Comparado a quê?'"

Sydney J. Harris



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